segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Novamente as SCUTS
A complementar esta opinião, deixo os resultados da última sondagem realizada aos leitores do Terras de Pena.
À questão "Considera o pagamento de auto-estrada prejudicial para o desenvolvimento do concelho?", 87% (7 votos) consideram que "Sim, prejudica consideravelmente", enquanto 12% (1 voto) consideram que "Não", não colhendo a opção "Sim, mas não é significativo" qualquer voto.
Sobre este assunto, remeto ainda para um post já publicado neste blog.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Para o fim-de-semana


segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Encontros com o Património - Eira de Lamelas


Para este primeiro artigo, escolhi um dos locais mais importantes do nosso concelho que tem caído no esquecimento e que, por isso, merece maior atenção. Falo-vos das gravuras rupestres de Lamelas.
Trata-se de uma eira de grande extensão, localizada numa clareira aplanada do pinhal de Lamelas, totalmente coberta de símbolos gravados na pedra. Estes símbolos (cruzes, formas geométricas simples e compostas, linhas e covinhas) dão um significado religioso e místico a este local desde a Antiguidade. Terão sido gravados em épocas diferentes desde o Neolítico (que nesta região terá começado há cerca de 5.000 anos), altura em que o Homem começa a praticar a agricultura e possui uma religião relacionada com a fecundidade e a produção agrícola. Os símbolos remetem-nos para o culto do sol e das estrelas, revelando, assim, um local de culto que seria usado para as festividades agrárias anteriores ao cristianismo. Dada a sua extensão, é provável que tenha sido uma espécie de santuário onde sazonalmente ocorriam os povos da região, suspeita que levou Manuel Martins a baptizar o local como “Santuário Rupestre” na sua publicação sobre este sítio*. A comprovar a sua função de culto estão também algumas covas abertas nas rochas que circundam o local (possivelmente utilizadas para suportar traves de madeira) e uma grande fossa oval (elemento comum utilizado nos rituais religiosos). Há ainda a notícia de mais rochas gravadas na zona que se terão perdido.
Há também quem veja nestes símbolos uma primeira forma de escrita dos povos desta região da Europa, que utilizavam a pedra como suporte.
Estes locais são, aliás, comuns no nosso concelho. Para além deste, o mais importante, é de especial interesse referir a pedra da Corga do Fieiro, em Canedo, e as lages de Vaca da Cana, em Vilarinho, com símbolos gravados semelhantes aos de Lamelas. Outros estarão ainda por identificar (note-se que as gravuras de Vaca da Cana foram descobertas há pouco tempo). A importância de Lamelas está comprovada a nível nacional com a classificação como Imóvel de Interesse Público pelo IPPAR desde 1986, sendo referência obrigatória para qualquer estudo da especialidade.
A tradição popular atribui a este local a lenda comum de possuir um tesouro escondido, que pode ser revelado através do brilho de uma jóia sob a luz do sol. Outra lenda possui um ritual que ainda há poucas décadas era praticado por alguns aventureiros. De acordo com a tradição, em determinada fase da lua era possível colocar a descoberto um tesouro (composto por uma grade, um arado e um timão em ouro) durante a noite, através da leitura no local do livro de São Cipriano. Se o leitor não revelasse medo, em determinada parte da leitura surgiria um animal (boi, cavalo, bode…) que indicaria o local onde este se encontrava escondido. Mas se a leitura fosse interrompida o leitor desaparecia o que, na dúvida, levou muitos a passarem a noite ao relento em empenhada leitura com medo de não voltarem de tão ousada demanda.
O acesso é feito a partir do Parque de Lazer de Lamelas, através da estrada florestal, seguindo depois pela segunda bifurcação à direita. A laje encontra-se no lado direito do caminho, mesmo antes de este começar a descer. É um local magnífico para desfrutar em dias de sol, de paisagem imaculada, dando ainda hoje uma sensação mística ao visitante.
*MARTINS, Manuel José Carvalho, O Santuário Rupestre de Lamelas, Ribeira de Pena, Câmara Municipal, 1981.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A questão das SCUT e Ribeira de Pena
Imagem picada daquiUm tema que tem marcado a actualidade é a questão do pagamento das SCUT em zonas como o Grande Porto ou o Algarve. Estas auto-estradas, grátis para os utilizadores, visam o apoio ao desenvolvimento de regiões desfavorecidas economica e socialmente. Ora, de acordo com este critério, também Ribeira de Pena deveria ser isenta de pagamento na A7, uma das auto-estradas mais caras do país, já que a EN 206 não se apresenta como alternativa viável que permita o seu desenvolvimento.
Aproveito a deixa e a notícia abaixo para lançar uma nova sondagem aos ribeirapenenses.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Sondagem Barragens do Alto Tâmega
À questão "Considera-se esclarecido relativamente às Barragens do Alto Tâmega?", todos os participantes votaram na opção "Não", não colhendo a opção "Sim" qualquer voto.
Parece-me claro que esta é uma questão por esclarecer, embora continue também por resolver como demonstra a notícia abaixo.
As notícias de Junho
Destaco a notícia sobre o artista digital, descendente ribeirapenense, que procurou nas suas origens inspiração para o seu trabalho. Graças a si, Ribeira de Pena está agora também presente em aplicações digitais de algumas marcas prestigiadas.
Destaque ainda para a Loja Solidária de Ribeira de Pena; numa altura de crise é uma arma importante para o apoio social. Qualquer pessoa pode contribuir, doando coisas de que já não precisa que serão depois fornecidas aos mais necessitados. Espero, contudo, que não seja também qualquer pessoa a beneficiar, como acontece com alguns subsídios, mas apenas quem realmente precisa.
Temporais varrem Trás-os-Montes
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/temporais-varrem-tras-os-montes
Luso descendente recria "cores" emocionais de Trás-os-Montes em aplicação para iPhone
http://www.ionline.pt/conteudo/66467-luso-descendente-recria-cores-emocionais-tras-os-montes-em-aplicacao-iphone-
Secretário de Estado da Protecção Civil visita distrito
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=8293
GNR apreendeu 130 armas ilegais
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1591934
Moção exige desintegração a favor de Unidade de Saúde Local
http://www.semanariotransmontano.com/noticia.asp?idEdicao=243&id=10705&idSeccao=3613&Action=noticia
Loja Solidária de Ribeira de Pena abre portas ao público a partir de hoje
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=8126
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
Novidades no Terras de Pena

segunda-feira, 21 de junho de 2010
Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena - VIII

CASA DO BARROSO
INFORMAÇÃO
A Casa do Barroso, em Bragadas, é uma curiosidade da arquitectura rural do século XVIII. Inserida numa povoação situada a meio da encosta norte do Tâmega, fronteira do Barroso, marca uma nota dissonante pela qualidade da sua fábrica. De facto, a Casa do Barroso ostenta, num canto escondido , um magnífico portal em granito, brasonado, e virada a poente e a sul uma fachada com cantaria fina, envolvendo uma pedra de armas de grande dimensão, que encima uma escadaria incompleta.
Que a Casa do Barroso não viu o seu projecto concluído é óbvio para quem ali se desloca. Qual o motivo para a interrupção das obras, não é fácil hoje descobrir. O que é certo é que Camilo, que por ali deverá ter passado quando viveu em Friúme, escreveu um belíssimo conto a propósito da casa, que intitulou “História de uma Porta” e que pode ser lido no livro “Noites de Lamego”.
Em Bragadas, a história que Camilo escreveu “virou” verdade. O poder da construção de mitos inerente à criação dos bons escritores... Mas será bom saber que o brasão esculpido no portal e no cimo da escadaria da Casa do Barroso pertenceu a Domingos Francisco Pena de Carvalho, natural de Ribeira de Pena, que a ele teve direito por carta régia passada a 25 de Setembro de 1756.
Francisco Botelho
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Sugestão para o Fim-de-semana

quarta-feira, 16 de junho de 2010
Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena - VII

PONTE DE ARAME
INFORMAÇÃO
A Ponte de Arame, que liga a Ribeira a Santo Aleixo de Além-Tâmega, deverá ter sido construída no início do século XX. Há, pelo menos, testemunhos de que ela existiria já durante a primeira Guerra Mundial, e prestou serviço até aos nossos dias. Aliás, a sua utilização só passou a ser acessória a partir de 1963, ano em que se inaugurou a travessia do Tâmega através da bela ponte em arco de granito, construida cem metros acima. Hoje em dia é utilizada pelas populações ribeirinhas e motivo de curiosidade dos muitos visitantes, que nela encontram o encanto de outras eras.
Quando Camilo passou por Ribeira de Pena, a Ponte de Arame ainda não existia. A passagem do Tâmega fazia-se então através dos vaus, nas numerosas poldras e nos açudes e, sempre que o caudal era maior, nas barcas de fundo chato que transportavam pessoas, mercadorias e animais. Nos períodos invernais mais rigorosos, o rio era intransponível. Terá sido isso, aliás, que motivou as gentes da Ribeira e de Santo Aleixo a construir uma ponte pênsil que permitisse o trânsito de pessoas e bens ao longo de todo o ano.
E se a Ponte de Arame não é contemporânea de Camilo, ela é um local extremamente agradável para acompanhar a leitura de dois textos alusivos à travessia do Tâmega e escritos por Camilo. Um, através das poldras, figura na novela “Maria Moisés”. O outro, uma travessia de barca, é descrita no Sexto dos “Doze Casamentos Felizes”.
Francisco Botelho
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena - VI

CAPELA DA GRANJA VELHA
INFORMAÇÃO
A Capela da Granja Velha, no lugar do mesmo nome, é um belo exemplar do barroco rural. Foi mandada edificar por um natural daquela povoação, emigrado no Brasil, de nome Lourenço Valadares Vieira, presbítero que exerceu no Brasil importantes cargos religiosos como o de Arcediago da Sé do Rio de Janeiro e Bispo do Pará.
Mandou edificar este templo na povoação da sua naturalidade para “homenagear os antepassados e para que a população tivesse um local condigno para assistir à missa”. Paralelamente a esta construção, estabeleceu um avultado donativo à Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, em Braga, que tinha a obrigação de prover e sustentar capelão próprio para a capela.
Construída na primeira metade do século XVIII, esta Capela garantia uma das melhores tenças religiosas, sendo portanto cobiçado o seu lugar. Talvez isso justifique o facto de, na Granja Velha, existir em 1841 um padre de grande ilustração, com fama em toda a província, o padre Manuel Rodrigues, ou Manuel da Lixa, por ser natural da Lixa do Alvão.
A Capela possui uma fachada em que se destaca a pedra de armas do instituidor e, exteriormente, apresenta um pormenor insólito – o acesso lateral ao coro com balcão, tudo construído em granito. No interior possui um belíssimo altar em talha dourada, com um sacrário de grande qualidade e uma imagem da Senhora da Conceição, uma obra prima do barroco. O tecto do altar mor possui uma pintura ingénua, provavelmente do século XIX, também digna de nota.
Foi no lugar da Granja Velha que Camilo teve aulas com o padre-mestre Manuel Rodrigues.
A Capela da Granja Velha e o seu adro terão sido testemunhas de muitos dos momentos que Camilo passou em Ribeira de Pena.
Francisco Botelho
domingo, 6 de junho de 2010
Camilo Castelo Branco

sexta-feira, 28 de maio de 2010
Para o fim-de-semana

sexta-feira, 21 de maio de 2010
Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena - V

CAPELA DE NOSSA SENHORA DA GUIA
INFORMAÇÃO
A Capela de Nossa Senhora da Guia ergue-se numa das encostas do Alvão, sobranceira ao vale do Tâmega e é o palco de uma das maiores romarias do concelho.
Consagrada como padroeira do concelho em 1952, envolve a devoção das gentes de Trás-os-Montes e do Minho, que religiosamente, todos os 15 de Agosto, assistem à sua procissão e cumprem promessas ao redor da Capela.
A Capela que hoje existe foi construída na primeira metade do século XVIII, por devoção e voto dos senhores da Casa de Santa Marinha e da Casa do Mato, em Ribeira de Pena. Foi seu construtor o mestre Lucquas Rodriguez, da Galiza, no seguimento do modelo da Capela da Granja Velha, então recentemente construída.
É um belo exemplar do barroco rural, com um portal encimado pelo nicho em que figura, em granito, a imagem da Senhora da Guia. O pormenor arquitectónico mais significativo é precisamente aquele que encima a fachada, uma grande concha (vieira) em granito. Sabendo que o mestre construtor era galego, não é difícil conotá-la com a influência de Santiago de Compostela, cujo símbolo é, precisamente a concha.
No interior, para além do altar, recentemente restaurado, há que ter em conta o tecto, todo em granito, com caixotões sem figuração.
Camilo, que certamente assistiu à romaria da Senhora da Guia, integra-a no Sexto dos seus "Doze Casamentos Felizes".
Francisco Botelho
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
Sessão sobre o Novo Acordo Ortográfico
imagem picada daquisexta-feira, 14 de maio de 2010
Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena - IV

A IGREJA MATRIZ DO SALVADOR
INFORMAÇÃO
A Igreja Matriz do Divino Salvador, que domina na sua majestade a vila de Ribeira de Pena, é um edifício construído na segunda metade do século XVIII e que se ficou a dever à benemerência de um emigrante ribeirapenense no Brasil, Manuel José de Carvalho.
A lenda conta que Manuel José de Carvalho, muito novo, terá ido para o Brasil, onde veio a fazer fortuna. Quando abandonou a terra natal, fez a promessa de, em caso de sucesso, mandar edificar uma igreja "como não houvesse outra em dez léguas ao redor". De como angariou fortuna, não ficou memória. O certo é que, em 1759, envia para Ribeira de Pena uma carta em que manifesta o desejo de mandar edificar uma igreja, garantindo o pagamento de todas as despesas, à excepção do carreto das pedras. A Igreja vem a ser edificada, tendo-se deitado abaixo a antiga Igreja do Salvador para aproveitamento da pedra. A primeira sagração vem a ser feita em 1793, já depois da morte de Manuel José de Carvalho, que nunca chegou a ver a sua obra.
A fachada manifesta ainda uma traça barroca, com alguns elementos rocaille.
Apresenta uma orientação invulgar a nascente e possui, por sobre o portal de entrada, um medalhão evocativo do fundador, ladeado de dois querubins com toucado de penas e um enorme nicho com uma imagem do Divino Salvador.
No interior, sóbrio mas imponente, é de referenciar o altar-mor, as guardas em madeira e os belos cadeirais confessionário.
Foi nesta Igreja que casou, em 18 de Agosto de 1841, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, na altura com 16 anos de idade, com Joaquina Pereira de França, uma jovem de 14 anos, natural de Gondomar e residindo na povoação de Friúme com seus pais.
A Igreja está ainda ligada ao episódio com que Camilo justifica a sua saída de Ribeira de Pena.
Francisco Botelho
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Sondagem Fins-de-semana Gastronómicos
À pergunta "Já participou em algum dos Fins-de-semana Gastronómicos do concelho?", 87% dos participantes optaram pela resposta Sim e gostei, enquanto os restantes 12% optaram pela resposta Sim e não gostei. Nenhum dos participantes optou pela resposta Não.
Em seguimento do último texto aqui publicado, inicio uma nova sondagem sobre as Barragens do Alto Tâmega.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
As Barragens do Alto Tâmega
Para ajudar ao esclarecimento dos ribeirapenenses, deixo as últimas notícias relativas a este assunto:
Discussão pública das Barragens no Tâmega terminou quarta-feira
"Pátria dos Dólmenes" submersa pelas Barragens
Barragem leva "Ilha dos Amores" de Camilo
EDP recebe autorização para barragem de Fridão
Remeto ainda para um artigo de opinião de Joaquim Jorge de Carvalho, a que chamou Naufrágio d’ilha.
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